quinta-feira, fevereiro 28, 2013

TEMPÃO INTEGRAL



Hoje pensei em te escrever...

Pensei em te escrever ao som de Sebastian Bach pra lembrar que é nos detalhes que mora a saudade e que é lá, também, que a ternura vive e se demora.

Pensei em te escrever sobre amizade, cabeça nas nuvens, carinhos, frases sedutoras, olhares acanhados, grutas, rochas, céu, sol, águas (claras) e pessoas gentis.

Pensei em te escrever sobre noites escuras, chocolates, cama de dois andares, café com leite (condensado), céu estrelado, latas de atum, pão integral com queijo e sardinha.

Pensei em te escrever sobre banho de rio (ao acordar), de sol (ao caminhar), de vida (ao se deitar) e de chuveiro (pra refrescar), com sabonete de algas (só pra rimar).

Pensei em te escrever novamente sobre comidas, entorpecentes e olhares, porém, prefiro te escrever sobre sorrisos... Daqueles que minha avó me mandou dar de presente, daqueles que vem nem se sabe de onde, daqueles de cumplicidade e daqueles de satisfação.

Pensei em te escrever, em fim, sobre as três Marias ou sobre os quatro Joões. Mas basta mirar uma estrela no céu, ou olhar o balcão da padaria, que todas estas palavras recebem contorno de felicidade e plenitude numa só frase que te escrevo: TEMPÃO INTEGRAL.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

CRÔNICA DE UMA TARDE DE CARNAVAL... NO MURICI

Pulei o carnaval do meu calendário e fui curtir o feriado no meio da mata, mais precisamente na reserva florestal Serra dos Cavalos, onde eu vivi grande parte da minha adolescência, quando aos fins de semanas, festas e feriados, fugia do caos cotidiano e das intrigas do dia a dia, para encontrar a felicidade dentro de uma casinha de taipa que estava sempre abarrotada de gente jovem por todos os lados. Uma delas e a mais jovem entre todos, era a minha avó, que acolhia aquele bando de "netos artistas" sempre com um sorriso nos lábios, um café quentinho ou caldo de cana pronto para ser saboreado.
De início, ao subi toda aquela estrada de chão batido, descer da moto e encostar-me rente ao cercado que separa os homens dos gados, olhei o horizonte e vi a minha cidade distante... Quis dizer palavras bonitas, rabiscar um soneto ou algo que o valhar, porém, antes de construir as sílabas de algum adjetivo para definir o belo daquela vista, ouvi uma troça se aproximando: o bloco das visinhas briguentas:
- Não fui eu quem foi pra sua porta bisbilhotar a sua vida, minha filha...
- Graças a deus eu nunca fui de fazer isso, Deus sabe bem. Ele vê bem quem tá na porta de quem procurando confusão, bixinha safada!
- Olhe lá como tu fala comigo, visse? senão eu faço tu engolir cada palavra, sua crente de merda! Fica escondendo as tuas safadesas atrás da bíblia, querendo julgar as pessoas, querendo ser a dona da verdade, mas comigo não. Na minha vida mando eu e não quero que rapariga nenhuma se meta nela, ainda mais uma crente fulera como tu.
- Ah! Minha filha, quero que tua vida se dane e que tu te exploda.
- Apois apareça na minha porta novamente pra tu vê o que vai acontecer com tu. Tô te avisando, tu deixa a minha vida em paz, sua catraia comedora de óstia! ... (foi saindo)
- Deus é testemunha dos meus atos!!! (certifica-se que a outra foi embora) Mas vê mesmo, uma inxirida dessa querendo me dá lição de moral no meio da rua. Vem pra cá, vem. Não digo, eu nunca fui na porta dela procurar conversa... agora ela fica ai se amostrando na rua pra vê se alguém da razão a ela...
...E como galinha de briga, saiu de crista erguida e resmungando alto para ver se o som das suas palavras dava-lhe a vitória na discussão.
- Pra teu governo, eu nunca disse um ai sobre tu, sua cachorra, tenho mais o que fazer. Essa catraia fica ai...
Ai, depois dessa interferência, já acompanhado por Jú e sua amiga, fui até uma daquelas casas, cumprimentei os moradores com um boa tarde e pedi um copo com água. Gelada ou natural? Perguntou-me a jovem mãe que estava arrumando o cabelo da filha mais velha, enquanto o marido bigodudo segurava as gêmeas ainda de colo. Natural por favor. Enquanto ela buscava a água que viria fresca em um copo azul, nós elogiavamos a beleza e astúcia da gêmeas. O Pai, contente, começou a nos falar sobre o tempo nublado que fazia e dos carocinhos de chuva que acabará de cair há uns minutos atrás. Uns carocinhos de chuva... A sabedoria popular é incrivelmente, simples, humilde e sábia. Qual árvore será que nasce desses caroços? De felicidades de bonaça, tomara. Porque de simpatia e presteza aquela vila já transborda.
Refrescamos nossas gargantas, agradecemos a gentileza e seguimos a estrada. Felizes com os carocinhos d'agua que acabavamos de engolir.
Já no caminho que nos levaria de encontro às lembraças, fomos envolvidos pelo cheiro de mato verde e terra molhada. A cada esquina cruzavamos com as reminiscências do passado que se tornaria presente, bastava fechamos os olhos e tudo seria materializado na nossa frente. Mas preferimos ficar de olhos bem abertos e projetar naquela paraíso, todas as pessoas, fatos e estripulias que viveram por lá. Inspirei, expiramos, respiramos fundo várias vezes... Tirei a sandália e com os pés descaços continuei a caminhada, certo de que quando a estrada bifurcasse, a casa de taipa ja não estaria mais lá. Dito e feito, o mato tomara conta do que um dia foi lar. Assim, ignoramos o caminho da direita que outrora era nosso porto seguro e seguimos reto rumo ao pau grande para recordar algumas resenhas vividas por lá.
Chegando à entrada que dava acesso ao nosso querido pau, a dúvida veio, mas logo foi embora, afinal, tudo aquilo ainda está presente nos nossos poros. Então subimos a ladeira que estava cheia de folhas molhada pelo chão, o que dificultava o acesso e consequentemente deixava tudo mais divertido. Arribamos ao pau grande e olhando de perto com a distancia do tempo não me pareceu tão grande quanto eu imaginava. Olhamos ele das raízes à copa e por um momento nos perguntamos se havia algum escrito nosso no seu tronco, mas logo veio a certeza que não, pois respeitavamos muito a natureza para deixar nossa marca nela, melhor permancer com as marcas dela em nós, nem que seja a dos arranhões dos diversos tombos que tomamos tentando descer a ladeira do pau grande.
Entre quedas, rizos frouxos e históras, seguimos em direção ao açude da mata, a nossa lagoa azul! Percorrendo todo o trajeto, passando pelas casas que agora estão abandonadas, vimos a estátua de barro de são francisco de assis em sua capelinha e mais a frente a placa de PROIBIDO TOMAR BANHO, indicando o caminho exato onde foi nomeada a Miss Murici.
Miss Murici
Ju
Explorando a trilha entre arbusto e galhos das árvores que cresceram ao longo de caminho, avistamos o açude cheio de gente, e no trono, digo, na pedra pedra da Miss Murici, encontrava-se um menino fazendo poses e logo percemos que ele queria concorrer ao Mister Murici. Porém não tem mais como. Tudo mudou: Os matos cresceram dentro do açude e a segunda pedra nem pode mais ser vista, com mais um punhado de tempo tudo estará tomado pelo mato. É a natureza seguindo o seu rumo. Os tempos são outros: Os jovens de agora são bem diferentes, estão muito evoluidos: Bebem PITU, fumam THC e ouvem bregas com letras de Djavan nos seus celulares. Nós, bebiamos cajuina, comiamos pão doce e cantavamos Raul Seixas: “Eu prefiro ser essa metamorforse ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Sobre o que o que é o amor, sobre o que eu não sei quem sou...”  E na indecisão de partir ou ficar, permanemos na biera do açude por um tempo, interagindo com os meninos, mas logo nos convencemos a ir embora, pois os carocinhos de chuva ameaçavam cair sobre nossas cabeças e podia fazer algum estrago.
No caminho de volta cantarolamos, rimos, achamos uma tanajura, algumas lagartas, falamos das nossas pessoas que vivem “engolindo sabos” e desejamos comer uns pasteis ou batatas fritas murchas que vendia na vila, ou ainda, o sagrado pão doce com cajuína rochedo. Mas o feriado momesco obrigou o padeiro a parar com o pão e aderir ao circo, sobrando pra nós, um biscoito treloso de chocolate, duas cajuínas e um salgadinho pipos. Somados a constatação de que quase nada mudou por aquelas bandas. De diferente somente a ausência e rizadas dos tantos amigos que um dia embrenharam-se por aquela matas. E nós, afinal, as pessoas da vila não paravam de nos olhar e cumprimentar-nos, como se fossemos turistas. Mal sabiam eles das crianças descabeladas e em folia que brincavam no terreiro do sítio da tia xocha, dentro de nós.


quarta-feira, janeiro 11, 2012

Prêmio Braskem do Teatro Estudantil Baiano

(José Jackson)
Os artistas do teatro baiano ainda tem a mania a achar que o teatro que se faz na escola é coisa menor, arte de iniciante, de quem está treinando ou desenvolvendo uma habilidade para quiçá ser um profissional, e que por essa razão, não merecem muito prestigio. Mas não é bem assim, pois é possível afirmar: Ai do teatro baiano se não fosse o Teatro da Escola!
Ao depararmo-nos com a lista do Prêmio Braskem 2011 divulgada último 11 de janeiro, percebe-se que dos 10 espetáculos indicados na categoria adulta, 5 deles foram resultado de mostras de fim de semestre dos alunos da Escola de Teatro da UFBA  e que o espetáculo encenado pela Cia de Teatro da mesma instituição, também foi indicado. Ficando a percentagem de 6/10. E ainda, 4 dos 5 indicados na categoria Revelação vem desta faculdade. Percebe-se também que 3 dos 5 espetáculos concorrentes ao prêmio máximo do teatro baiano, melhor espetáculo, são provenientes da mesma instituição. Desta forma é inegável a participação da Universidade na vida cultural da cidade de Salvador e da contribuição desta para o fazer artístico do estado.
No entanto, a partir desta constatação é possível levantarmos um questionamento curioso: existe Teatro Profissional na Bahia ou serão todos Experimentos Estudantis? Afinal, se excluirmos a produção do “Global” Lázaro Ramos, a do Teatro Nu e do único encenador profissional desse estado (Fernando Guerreiro), não restará, salvo engano, outros artistas que possam dizer-se profissional de teatro em 2011, fato que a lista dos melhores do ano nos revela.
Esta constatação nos mostrar, ainda, que a qualidade dos espetáculos teatrais nem sempre estão associada com altos valores das produções, afinal, os experimentos vindos da UFBA, grande parte deles, são feitos com uma bolsa que os alunos recebem da instituição para realizar as suas produções, que em alguns casos, não passa de mil reais. Ao contrário de outras produções mais abastadas financeiramente, porém, com poucos êxitos.
E ai é onde mora o medo, pois o que sobra em disposição, talento e garra nos meninos e meninas da escola de teatro pra realizarem suas produções de fim de curso, que talvez falte nas outras produções, certamente irá esvair-se no instante em que forem postos para além das paredes da escola de teatro e perceberem que não existe meio de subsistência através da profissão que acabaram de assumir para sua vida. Pois a cada dia o lobo mau - poder publico- tenta convencer os artistas de que o pouco basta, afinal, pra quê mais dinheiro nas leis de incentivo a cultura se com pouco se obtém tamanha qualidade, não é verdade? E muitos poderiam responder: porque nem só de circo vive o palhaço. Ele também precisa alimentar-se todos os dias, pagar contas, comprar roupas e quitar o aluguel da casa todos os meses, não somente quando é contemplado com algum prêmio anual de incentivo a cultura. É aceitável que os estudantes façam teatro sem receber nenhum centavo pelo seu trabalho, afinal, ainda são estudantes. E pacientes entendem isso.
Mas o que dizer de um “profissional” que tem o mesmo comportamento estudantil: trabalhar de graça e ter que bancar os gastos diários de locomoção, produção e alimentação para fazer teatro? A conclusão que se pode chegar é que todos são ricos ou compartilham do pensamento saudosista do: “ai como era bom o Teatro da Escola...”, e assim fazem daquela experiência o seu modo de vida.
Contudo, Benjamim Franklim vem nos lembrar que “a experiência é uma escola onde são caras as lições, mas em nenhuma outra os tolos podem aprender.”, que assim seja! E deste modo, não nos resta outra alternativa além de dar vivas e prestigiar o Prêmio Braskem do Teatro Estudantil Baiano.

terça-feira, janeiro 03, 2012

Como se diz Feliz Ano Novo em mandarim?? 


Este ano começou de forma tão especial que tenho vontade de espalha aos sete mares a felicidade que habita em mim, mesmo que ela seja efêmera ou invisível. Mas não tenho dúvida, era ela,  na madrugada da passagem do primeiro para o segundo ano da segunda década desse novo milênio, disso nao tenho dúvida.

O que me intriga é que estive tão feliz com a alegria compartilhada e retribuída que nem votos, nem pedidos, nem se quer desejos fiz pra mim. Eu que tanto peço, que tanto quero... É curioso, mas quando estamos felizes nos esquecemos de nós. Só pensamos em dividir a felicidade, multiplica a alegria e somar as gargalhadas.

Nunca fui dado a superstições nem mandingas: das sete ondas sempre quis está nas cristas delas; dos sete cravos só me interessa o cheiro dela; das sete passas, passarei, passarei, a derradeira fica... Das lentilhas que trazem dinheiro eu nunca ouvi falar. Mas pela primeira vez, comecei um ano em trajes brancos esperando que este Novo Ano use pincéis delicados e precisos para colorir a obra de arte que estará em permanente exposição enquanto é criada.


quinta-feira, dezembro 29, 2011

   Orgulho Orgulhante
Eita, que hoje eu fiquei feliz minha gente. Meu irmãozinho que eu temia que ficasse ao léu na vida, parece que tá tomando rumo.
Eita, orgulho bom, orgulho besta, orgulho orgulhoso, orgulho orgulhante que tô sentindo agora! To bestinha aqui, sabia? Até parece que em vez de irmão, sou pai. Mas é assim que tem que ser, né? E se não era, agora é. Queria vê-lo careca, abraça-lo e dizer olhando nos olhos dele: Estou muito orgulhoso de tu, visse?

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Nem sempre foi, mas agora é.

É um tal de fila pra lá, fila pra cá,
empurra-empurra, ei  moço, quanto é?
verde, azul, ou aquela de prata?
acho o de chocolate mais gostoso.
eu quero com cobertura de nozes e amendoim.
o meu branco, não gosto muito do tinto.
ai, nao, prefiro aquele branco que tem a maçã.
nao, nao, o saramago é bem melhor, nao tem erro.
peru , frango, suino, bolvino ou codorna?
espera só um minuto coração, que já te atendo.
e TV aqui é quanto?
e esse celular quanto é?
a mãe falou que não gosta dessa marca.
o pai falou que não pode gastar muito.
a Camila adora jóias...
o João vivia sonhando com um desses.
olha o pesado!
meu deus, será o limite vai dá?
não tenho o numero 36 serve o 34?
essa ficou perfeita, ela vai adorar!
de lycra ele tem alergia,pode cancelar.
essa embalagem é muito...
gravata é pouco?
baton, perfume,ou maquiagem? 
sabonete tá de bom tamanho.
E o camelô de CD  lembra-nos: "Então é natal..."



terça-feira, outubro 04, 2011

SOBRE A INFANCIA

Cada dia que passa distancio-me mais da criança que fui um dia...
Eram sempre primavera naquele tempo e não me importava se tinha vergonha em comer carne na casa dos amigos, já que não tinha hábito de comê-la na minha.
Era tudo colorido, eu só queria brincar! Queria terminar os afazeres domésticos para ver a televisao e ficar vidrado nas histórias do Doug Funny e emocionado ao me indentificar com o Chaves, pois, eu tinha um melhor amigo que era o tesouro da sua mamãe e eu nem mãe tinha, quem dirá um sanduiche de presunto...
Ser aquela criança foi muito duro pra mim... Dias dos pais, cadê o Pai? Dia das mães cadê a Mãe? Dia das crianças, aniversário e  natal, cadê presente? cadê minha bicicleta que espero até hoje? Papai-Noel nunca gostou de mim...
Mesmo assim, em meio a pilha de pratos que eu tinha que lavar e a casa pra varrer eu sonhava... sonhava em sair pelo mundo. Olhava pra estrela e lhes perguntava: " Ei, como eu  faço para ir até ai? Como faço para ser feliz e reluzir como vocês?" E entre uma estrela cadente e outra, meu pedido de ter um pai e uma mãe foi se tranformando em desejo de correr mundo... Lá, talvez, eu pudesse ser mais feliz, lá as pessoa iriam me amar, se divertir com minha presença e se encantar com as minhas descobertas e realizações.
Foi ai que me apareceu uma tia madrinha e o que era desejo se transformou em realidade. Hoje procuro ser a criança que sempre desejei ser com o "mundo" que ela me deu de presente.

domingo, outubro 02, 2011

Um dia...

Sinto-me bem aqui. Ao meu lado duas garrafas de cerveja e um casal comendo uns pasteis de forno e bolo de chocolate. A noite está agradável e o ambiente é muito aconchegante: um cinema localizado no interior no museo geologico. Uma sala de pedra.
Como  eu  não queria ver o filme só, liguei para aquela a quem estou tentando conquistar, mas está bem dificil, porque ela sempre dá um jeito de escapar de mim. Ora, parece que tem um bem  querer. Ora, parece não me conhecer. Mas eu tambem sou assim, porque o espanto? Tento  força a barra, mas  sem exito.
estou só.
Folheio algumas revistas e uma delas fala sobre a vida e morte de Emy winehouse. A chuva dá um trégoa... Agora estou na varanda  do cinema. Temperatura agradável. Tempo bom! Ar macio de se respirar. ja ja começa a sessão e vou ter que assistir o filme sozinho. Penso em ligar para alguma amigo, ou amante, mas pra quê? pra quê forçar a barra?
Quando  penso em desistir, me aparece um corpo escultural que logo me convence a continuar ali. este corpo senta ao meu lado e  começa comer alguma coisa parecido com  pizza ou  aipim cozido, não sei bem. Ao seu lado tem uma garrafa de água... que inveja daquele garfo roçando  sem parar aquela boca carnuda... que inveja  da garrafa  presa naquelas mãos...
AH!  que tolice ficar imaginando coisa pra escrever enquanto espera o filme começar. A sala abriu! lá vou eu, antes que aquela bunda invada os meus sonhos.

VENHA!

Se você quer vir, venha. Mas venha  inteira, sem medo e sem cautela.
Venha com cheiro de rosas e sonhos infantis.
Venha  calorosa, incandescente e ardente até o fim.
Venha  com o  cabelo assanhado, com remela no olho, com  o dedo no nariz. 
Mas venha assim, como quem  vem pra ficar. 
Pra quando partir, levar parte de mim consigo. 
E quando voltar, causar festa no meu estomago, arrepio na minha nuca e tremedeira nas minhas pernas.

segunda-feira, agosto 01, 2011



!!you dont know me!!

Por que insistes em continuar me vendo pelas ruas se eu não estou?
you dont know me...
por que continuas pensando em mim se eu não me marterializo na sua frente?
por que as imagens do nosso primeiro e único encontro insistem em se projetar em teus olhos?
you dont know me...
porque a bermuda branca com listras em tons de azul e camisa azul bêbe e a roupa de baixo preta não saem das tuas retinas?
you dont know me...
por que imaginas que os olhos puxados e pouco vesgos complementam a ingenuidade deste sorriso de menino?
you dont know me...
por que a boca é tao macia quanto os fios dos cabelos?
por que os toques ainda são sentidos e dejados?
por que aqueles gemidos insistem em não sair do teus ouvidos?
você não me conhece...
Why insist on being the language on the same wavelength as mine?
você não me conhece...
why do you desire my desire?
você não me conhece...
why envision my eyes?
você não me conhece...
Why insist on wanting to know where to walk, I talk to and where I have fun?
você não me conhece.




quarta-feira, julho 06, 2011

IDEIA FIXA



Não vou mais perguntar como você está.


Nem vou mais te desejar quando a vontade voltar.


Nem vou implora por teu amor vulgar!.


Nem me afligir por não me dares atenção quando eu falar... parece que você é surdo! mal educado sem que não é, pois, me responde, mas por educação, nunca por comoção.


Não vou me estripar para ter um momento em que os teus olhos lembrem do meu olhar.


Não vou impregnar meus pensamentos com seu sorriso, com seu cheiro, com seu paladar...


Não vou maltratar os confessionários por te declarar, lembrando do dia e da noite que te fiz amar. Maldito instante, bendito lembrar.


Não vou dilacerar minha pele tentando te encontrar.


Não vou mais querer recordar à hora de me deparar.


Nem vou mais rezar esperando você chegar.


Não quero mais mentir nem dissimular...


Não vou mais desviar minha forças para te agradar. Sabe aquele vinho? Não vou mais te convidar, sabe aquele sol? Por ti não vai mais te brilhar. E tua beleza rara vai se apagar; aquela alegria de menino vai se esquivar e quando tu começares a rogar, a tua voz ninguém ouvirá e quando por piedade outra vir a te desejar, tu como fraco vais mais uma vez te camuflar.


Não quero mais essa doença, nem essa agonia, nem esse calor, essa melancolia, essa musica alta, esse olhos a lacrimejar, esse ego magoado, esses tremores, esses nervos a te suplicar.... Nem esse medo bobo de te deletar.



04/07/2011


quinta-feira, março 31, 2011

Concorrente ao Prêmio Braskem de Teatro fará Temporada Internacional

Indicado em 3 categorias do Prêmio Braskem de Teatro 2010- a premiação máxima do teatro baiano- nas categorias: Melhor Espetáculo, Diretor Revelação (José Jackson) e ator Revelação (Nando Zâmbia); O espetáculo apresentado na favela do Calabar, Dois Perdidos Numa Noite Suja, fará temporada internacional a convite da Universidade de Évora- Portugal.

O espetáculo da obra de Plínio Marcos, que trata da migração para os grandes centros e questiona o prejuízo para os indivíduos neste sonho de prosperidade, será uma oportunidade que os espectadores portugueses terão para refletirem sobre a imigração que constantemente assola aquele país.

Além da discussão sobre o tema citado, é um ensejo que os estudantes lusitanos terão para conhecer um clássico da dramaturgia brasileira, como destaca o Diretor do Curso de Licenciatura em Artes do Espetáculo- Teatro, do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Évora, Tiago Porteiro.

A temporada acontecerá no início de junho e estão previstas, além das 5 apresentações, uma conferência sobre a vida e obra de Plínio Marcos, e um bate- papo sobre a produção cultural brasileira e portuguesa.

Depois desta temporada o espetáculo voltará em cartaz na capital baiana e no segundo semestre se apresentará em algumas comunidades do Rio de Janeiro, como a Cidade de Deus e Vidigal, que já estão em processo de pré - produção.

terça-feira, novembro 30, 2010

Al principio del mundo Olofin hizo al hombre y a la mujer y les dio la vida. Olofin hizo la vida pero se le olvidó hacer la muerte. Pasaban los años y los hombres y las mujeres cada vez se ponían más viejos pero no se morían. La tierra se llenó de viejos que tenían miles de años y que seguían mandando de acuerdo con sus viejas leyes. Tanto clamaron los más jóvenes que un día su clamores llegaron a oidos de Olofin. Y Olofin vio que el mundo no era tan bueno como él lo había planeado y sintió que él también estaba viejo y cansado para volver a empezar lo que tan mal le había salido. Entonces Olofin llamó a Ikú para que se encargara del asunto. Y vio Ikú que había que acabar con el tiempo en que la gente no moría. Hizo Ikú entonces que lloviera sobre la tierra durante treinta días y treinta noches sin parar y todo fue quedando bajo el agua. Sólo los niños y los más jóvenes pudieron treparse en los árboles gigantes y subir a las montañas más altas. La tierra entera se convirtió en un gran río sin orillas. Los jóvenes supieron entonces que la tierra estaba más limpia y más bella y corrieron a darle gracias a Ikú porque había acabado con la inmortalidad.

Relato Yoruba

domingo, agosto 15, 2010

domingo, agosto 01, 2010

O Pranto da Escavadora (trecho inicial)

I

Só o amar, só o conhecer
conta, não ter amado,
não ter conhecido. Angustia

o viver um consumado
amor. A alma já não cresce.
Assim, no calor encantado

da noite que cheia desce
pelas curvas do rio e as súbitas
visões da cidade embaçada de luzes,

ecoam ainda as mil vidas,
desamores, mistério, e miséria
dos sentidos, tornando-me inimigas

as formas do mundo, que ontem eram
ainda a minha razão de existir.
Exausto, entediado, torno por negras

praças de mercados, tristes
estradas em torno ao porto fluvial,
barracos e armazéns mistos

com os últimos prados. Lá, mortal
é o silêncio: e ali, na Viale Marconi,
estação Trastevere, é doce o final

da tarde. E lá nos seus rincões,
nos subúrbios, ligam os motores
ligeiros — vestidos ou só de calções

de trabalho, num impulso de festivo ardor —
os jovens, com amigos na garupa,
rindo e sujos. Os últimos clientes

conversam em pé e em alta
voz à noite, aqui, ali, em mesinhas
de bares ainda luzentes e semivazios.

pier paolo pasolini / as cinzas de gramsci







IV



O escândalo de me contradizer, de estar
contigo e contra ti; contigo no coração,
à luz do dia, contra ti na noite das entranhas;

traidor da condição paterrna
- em pensamento, numa sombra de acção –
a ela me liguei no ardor

dos instintos, da paixão estética;
fascinado por uma vida proletária
muito anterior a ti, a minha religião

é a sua alegria, não a sua luta
de milénios: a sua natureza, não a sua
consciência; só a força originária

do homem, que na acção se perdeu,
lhe dá a embriaguez da nostalgia
e um halo poético e mais nada

sei dizer, a não ser o que seria
justo, mas não sincero, amor abstracto,
e não dolorida simpatia…

Pobre como os pobres, agarro-me
como eles a esperanças humilhantes,
como eles, para viver me bato

dia a dia. Mas na minha desoladora
condição de deserdado,
possuo a mais exaltante

das poses burguesas, o bem mais absoluto.
Todavia, se possuo a história,
também a história me possui e me ilumina:


mas de que serve a luz?

sexta-feira, julho 30, 2010

CRÔNICA DO INSTANTE DESATIVADO
Ontem o sol estava radiando e a radiação tomou conta de mim.
o dia caminhava ao som de buzinas, pássaros, gritos, canções, mas por um instante o céu se apagou
- o que aconteceu?
- só vi quando desabou ai.
o universo caminha lento no seu transcorrer de tempo, o vento estava parado e ao redor um multidão.
- oi você me ouve? o que aconteceu com você?
- ah eu só...
flash de memória. Num instante a roda gigante começou a girar: só preciso de me sentar à sombra.
as sombras eram indefinidas as vozes altas e destoadas, vozes ao microfone, carros passando pessoas caminhando e no ar pombas fazendo o seu balé diário em frente a igreja que se aproximava.
- vc tem dinheiro pra pegar um taxi?
- vc quer ligar pra alguém?
- tenho, tenho sim.
diversas mãos segurando firme ao que se punha a baixo. Diversas palavras, e silêncios.
- meu deus acode! ele tá verde.
- vc está bem?
-Cade minha mochila?
- Tá aqui.tá tudo aqui,fica tranquilo.
a sensação de estar sendo conduzido sem saber pra onde, os becos, e o calafrio num dia ensolarado.
-abre a boca essa bala vai te ajudar.
as balas também podem matar mas a consciência nao veio.
- meu deus o menino tá gelado, acode!!
passos, braços, caminhada...
- pra onde estão me levando? cadê minha coisas, me põe no chão.
imagens desfocadas, pessoas desconhecidas e uma sensação de alegria, afinal morrer não dói como afirmou cazuza, a sensação é boa. alegria
- ele está rindo? ( será que alguém disse isso?) por um instante o corpo em paz, a mente sem referencia, e o riso veio.
O corpo desativado. o mundo parou, tudo estava escuro e de repente a euforia do dia a dia: cores, cheiros, sons, tato.
- alô, vem me busca aqui, estou dentro de um ônibus, estou preso ao lado da policia civil. Vem por piedade estão me segurando aqui e eu preciso ir.
com todos os movimentos e palavras recobrados a vida seguiu o seu rumo. sobrou a feliz sensação de ter sido desativado por alguns segundos no centro de uma cidade em extase.

sexta-feira, maio 14, 2010



O Corpo Exige


Presto distraída atenção ao meu corpo.
O que me pede, eu faço.
Às vezes, não entendo logo suas ordens, mas
cedo sempre.
Me achego a ele e indago:
-O que queres? Ah, é isso? Então, concedo.
Sempre que eu resisti
um de nós saiu-se mal.

Nas 24 horas do dia, ele pede,
e quando cala, fala
num discurso de sonhos
que me abala.

Ele sabe. Eu sei que ele sabe,
e sabe antes de mim, e nele
eu sei dobrado, sou um-e-dois
como os dois cortes de um sabre.
(Afonso Romano Santana)
Certo dia Alguém reclamou por eu nunca ter escrito uma só frase sobre ela no neste blog. Nunca senti verdadeira segurança para tal, mas hoje, vi que outro alguém já havia escrito, e tomo suas palavras como minhas, vista pela ótica dela:
No dia em que me olhando nu ela disse:
Gostaria que seu pau cantasse.
Asas nasceram-me nas virilhas,
Trinados cruzaram a madrugada
E meus lençóis amanheceram cheios

De penas
- e poema.

(Afonso Romano)

segunda-feira, abril 26, 2010

Impressões Digitais
O tempo corre e temos que apresentar a nossa história:
Correr risco, sempre.
"se eu tiver medo de me expor eu encerro a minha carreira
e vou criar galinhas."
( Ney Mato grosso.)